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Diogo Pupo Nogueira

Diogo Pupo Nogueira

Diogo Pupo Nogueira:
 

Uma vida em prol da saúde dos trabalhadores

 

 

O primeiro contato do médico Diogo Pupo Nogueira com a Segurança e Saúde no Trabalho aconteceu ainda na infância. O pai trabalhava em uma fábrica que possuía uma máquina complexa, a qual era operada por crianças de 11 e 12 anos de idade. Certo dia, um menino sofreu um acidente fatal com a máquina. Ninguém pôde fazer nada.

 

O pai de Dr. Diogo, indignado com o fato, foi falar com o dono da fábrica: a máquina devia ser substituída por outra menos perigosa e operada por um adulto. Mais uma vez nada foi feito. O empresário respondeu que o equipamento havia custado muito caro e havia uma fila de meninos procurando empregos, que ficariam muito felizes se pudessem trabalhar nela.

 

A história contada pelo pai marcou o filho, que tinha apenas 5 anos quando o fato ocorreu. Naquela época, o menino nem imaginava que dedicaria grande parte de sua vida em prol da saúde dos trabalhadores. Tempos depois, em 1943, formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo. No ano seguinte, também foi trabalhar em uma fábrica: a Linhas Correntes. Lá passou a trilhar o caminho da prevenção.

 

O serviço médico implementado por Dr. Diogo Pupo Nogueira desenvolveu uma atividade efetiva de medicina do trabalho de forma pioneira. Também realizava uma ação assistencial, especialmente para as trabalhadoras. Ainda foi presidente da CIPA na empresa.

 

Pioneirismo

 

“O mais importante é que Dr. Diogo foi um pioneiro na área de saúde no trabalho. Na época dele, pouquíssima gente se dedicava ao assunto de forma integral. Ele trouxe uma visão muito profissional, e o amadorismo em relação à saúde ocupacional foi deixado de lado”, afirma o médico e pesquisador da Fundacentro, Eduardo Algranti, que chefia o Serviço de Medicina.

 

O interesse pela pesquisa também o manteve próximo do professor Benjamin Alves Ribeiro, da Faculdade de Saúde Pública da USP, nos anos de 1950. Tanto que nos anos de1960 se tornou assistente dele na Cátedra de Higiene do Trabalho. Assim se tornou uma referência para a higiene ocupacional, área em que o seu lado médico se juntava ao lado engenheiro, já que gostava de eletricidade, de criar invenções e ainda era radioamador.

 

Nesse período já vislumbrava a necessidade de uma instituição que atuasse em prol da saúde ocupacional, o que se materializou em 1966 com a criação da Fundacentro. Nela participou como membro do Conselho Deliberativo, representando a Universidade de São Paulo, juntamente com o professor Alves Ribeiro.

 

Também atuou nos grupos formados à época  para estruturá-la, junto com os médicos Bernardo Bedrikow e Joaquim Augusto Junqueira, o engenheiro Silas Fonseca Redondo e os professores Benjamin Alves Ribeiro e Antonio Ferreira Cesarino Júnior, entre outros. Via uma vocação acadêmica na Fundação. Foi nessa década que concluiu o doutorado em Saúde Pública sobre “Serviços Médicos de Empresas Industriais” (1967). Em 1968, passou a lecionar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

Dr. Diogo Pupo Nogueira participou da implementação da regulamentação profissional em segurança do trabalho nos anos de 1970. Naquela época, a Fundacentro foi incumbida de pesquisar qual seria o perfil dos profissionais e de preparar um currículo para as formações. Para tanto, foi criada uma comissão, da qual Dr. Pupo Nogueira participou junto com os médicos Oswaldo Paulino, Bernardo Bedrikow e Joaquim Augusto Junqueira, entre outros profissionais, como o engenheiro Leonídio Francisco Ribeiro Filho. Dr. Diogo e Leonídio percorreram várias universidades federais para sensibilizar os reitores a abrirem o curso de engenharia de segurança do trabalho.

 

Também foi precursor dos estudos sobre os problemas da indústria têxtil. Pesquisou a bissinose, doença causada pela inalação da poeira de algodão, em um trabalho conjunto entre a Fundacentro e a Faculdade de Saúde Pública da USP. O estudo foi publicado em 1972.

 

“Estudamos fiações de algodão, divididas em três categorias (de acordo com o grau de risco estimado) e conduzimos estudos ambientais detalhados em cada uma, caracterizando a exposição dos trabalhadores à poeira de algodão nas cardas e fiação. A fim de estabelecer a concentração estimada em cada ponto estudado, tomamos muitas amostras de acordo com métodos estatísticos validados. Paralelamente, Dr. Diogo encabeçou o estudo de saúde dos trabalhadores para sintomas de bissinose”, explica a higienista ocupacional, Berenice Goelzer, que foi a primeira chefe da divisão de higiene do trabalho da Fundacentro. Função essa que ocupou por três anos, de 1970 a 1972, após ser apresentada à instituição pelo próprio Dr. Pupo Nogueira.

 

Carreira

 

Nos anos de 1980, Dr. Diogo se tornou livre-docente, professor titular, chefe do Departamento de Saúde Ambiental e vice-diretor da Faculdade de Saúde Pública. Aposentado compulsoriamente em 1989, continuou atuando como professor emérito, destacando-se como orientador da pós-graduação. “Dr. Diogo como orientador era uma pessoa muito disponível”, relembra Algranti, que foi orientando dele.

 

Como pesquisador, a vida de Dr. Pupo Nogueira foi marcada por diversos interesses: acidentes do trabalho, absenteísmo, pneumopatias profissionais, fisiologia respiratória, CIPA, serviços médicos de empresas, entre outros. Foi dele uma das primeiras publicações no Brasil sobre asbestose, no ano de 1975, na Revista Saúde Pública. Também apontou a alta incidência de silicose na indústria cerâmica em 1981.

 

O professor se destacou ainda na consolidação da medicina do trabalho e na união profissional. Ao lado de outros pioneiros da área, como Dr. Bernardo Bedrikow, Dr. Joaquim Augusto Junqueira e Dr. Oswaldo Paulino, foi um dos fundadores do Departamento de Medicina do Trabalho da Associação Paulista de Medicina, em 1953, e participou da fundação da Anamt – Associação Nacional de Medicina do Trabalho, em 1968. Chegou a ser secretário nacional da ICOH (International Commission on Occupational Health) no Brasil e a participar de grupos de trabalho na Organização Mundial da Saúde - OMS.

 

Por todos esses serviços prestados e por dedicar a vida em prol da saúde dos trabalhadores, a Sala do Conselho da Fundacentro foi batizada com o nome Diogo Pupo Nogueira. Na parede, numa área central, fica a foto do mestre, com a frase: “contribuiu para a criação da Fundacentro, integrando os Conselhos Deliberativo e Curador”.

 

Convivência

 

Nascido em 14/05/1919, Dr. Diogo Pupo Nogueira morreu aos 84 anos, em 12/08/2003. Para o médico do trabalho René Mendes, que foi diretor técnico da Fundacentro nos seus primórdios, a vida e obra de Dr. Diogo continuam “sendo uma referência da melhor estirpe possível de homem, de médico e de professor”.

 

“Para nós ele foi um pouco de tudo isto. O amigo, o colega, o professor, o autor. Tão raro encontrar tudo isto junto, numa mesma pessoa inteira, que sempre conservou a sua elegância e presença, sem ser arrogante ou pernóstico. Pelo contrário, um gentleman, espécie cada vez mais rara. Culto, poliglota, querido e respeitado”, escreveu René Mendes no jornal da Anamt, de agosto de 2003.

 

“Dr. Diogo foi umas das pessoas mais maravilhosas que conheci. Profissional excelente e grande figura humana – grande amigo; sinto falta dele e de sua esposa, Lúcia, até hoje”, afirma Berenice Goelzer.

 

“No trabalho, sempre entusiasmado e grande lutador pela Saúde Ocupacional. Sempre estudioso e de grande generosidade para com colegas e alunos. Devo ainda dizer que aprendi muito com ele e sou eternamente grata pelo que me deu como mentor, colega e amigo”, completa a higienista ocupacional.

 

Descrito pelas pessoas próximas como uma pessoa muito afável e simpática, dedicava seu tempo livre à esposa, aos filhos e netos. De personalidade dinâmica, o médico, professor e pesquisador aliava rapidez com um bom embasamento profissional. “Ele trouxe não só um conteúdo denso para a área como também entusiasmo”, conclui Algranti.

 

 Apresentação em homenagem a Diogo Pupo Nogueira

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