Carregando... Carregando...
 
Busca Simples

Dissertação discute o estresse térmico por esforço físico nos atletas profissionais de futebol

Da esq. p/ dir.: mãe de Leonardo, Leonardo, Robson Spinelli, Maria Renata e Álvaro Ruas

Foram analisados 64 jogos na Copa do Mundo da FIFA de 2014, com atletas que mais se movimentaram em campo e que alcançaram a velocidade máxima atingida

Por Fundacentro-ACS/ Alexandra Rinaldi em 22/11/2019

Entre a paixão pelos esportes, mais especificamente pelo futebol, e a segurança e saúde do trabalhador, o advogado e aluno do Programa de Pós-Graduação da Fundacentro, Leonardo Lins Camelo da Silva, aliou esses dois aspectos para analisar como as altas temperaturas podem afetar a vida dos profissionais do futebol.

Na dissertação de mestrado “O estresse térmico por esforço físico nos atletas profissionais de futebol, na Copa do Mundo da FIFA no Brasil de 2014”, o autor analisa o estresse térmico por esforço físico dos atletas, como se enquadram no índice de calor e na Norma Regulamentadora 15, que dispõe sobre Atividades e Operações Insalubres.

A prática de atividades físicas, recomendada por médicos para o alcance da longevidade e bem-estar não é a mesma praticada por jogadores de futebol. Na vida de um atleta, vários fatores permeiam sua carreira, como exposição à mídia, competições, cobrança por alto desempenho, patrocinadores, causando muitas vezes impactos negativos à saúde e aposentadoria precoce, em razão das inúmeras lesões corporais acumuladas ao longo dos anos.

Com base em dados estatísticos da FIFA, dados do Heat Index Calculator (calculador do índice de calor), Índice de Bulbo Úmido-Termômetro de Globo (IBUTG) e outras referências bibliográficas, Leonardo analisou 64 jogos na Copa do Mundo da FIFA de 2014, escolhendo atletas que mais se movimentaram em campo e que alcançaram a velocidade máxima atingida e a quantidade total de sprints (tipo de deslocamento realizado por jogadores de futebol, onde variáveis fisiológicas podem estar correlacionadas ao desempenho da potencia muscular).

IBUTG como estimativa

O Índice de Bulbo Úmido-Termômetro de Globo (IBUTG), foi criado em 1957 e tinha como objetivo verificar o impacto fisiológico do calor nos treinamentos militares. Já o software sobrecarga térmica, desenvolvido pela Fundacentro, possibilitou a Leonardo verificar o estresse térmico nos atletas de futebol nos jogos da Copa do Mundo. O software sobrecarga térmica foi uma inovação na área de prevenção de doenças relacionadas ao calor intenso, e tem como objetivo monitorar a exposição do trabalhador à sobrecarga térmica nas atividades a céu aberto em todo o seu território.

No capítulo, “O IBUTG”, Leonardo cita o índice como instrumento “útil para análise de sobrecarga térmica laboral, identificada em diversas profissões pelo mundo, bem como em diversas regiões”. A Norma Regulamentadora 15 (Atividades e operações insalubres) também é analisada no trabalho acadêmico, observando-se os limites do tempo de trabalho e tempo de descanso.

Copa do Mundo 2022

No trabalho acadêmico, o autor busca na mídia, como forma de validar a sobrecarga térmica aos atletas, depoimentos de campeões mundiais que chegaram a competir em grandes torneios em temperaturas que chegaram a 42º graus centígrados.

A pesquisa, além de evidenciar os perigos da realização de práticas esportivas sob intenso calor, notadamente em torneios, mostra a preocupação do Comitê Executivo em alterar os meses para realização das Copas das Confederações FIFA de 2021 e da Copa do Mundo da FIFA de 2022.

Será no Qatar, país situado no Golfo Pérsico e escolhido para sediar os dois grandes eventos da Federação. Lá, as temperaturas nos meses de junho e julho chegam a variar entre 40º e 50º graus centígrados, e, portanto, consideradas temperaturas extremas, responsáveis por gerar o estresse térmico em atletas.

Se antes, a tradição para a realização dos jogos era nos meses de junho e julho, o Comitê, em 2015, decidiu alterar para o período de 21 de novembro a 18 de dezembro de 2022, momento em que as temperaturas são mais amenas.

Experiência na Fundacentro e sugestões futuras

Para Leonardo, o tema estudado ajudou nas inúmeras dúvidas que tinha quanto aos eventos realizados no calor, e a forma como os jogadores reagem a essas temperaturas.

Mas, por trás do trabalho acadêmico, Leonardo destaca a presença da Fundacentro, como grande aliada para um melhor entendimento da segurança e saúde do trabalhador. “Minha experiência acadêmica na Fundacentro foi um divisor de águas na minha vida. Foi fundamental para eu ter uma nova percepção sobre o trabalho”, comentou.

Algumas observações foram colocadas pela banca de defesa, como por exemplo, a necessidade de EPI´s (Equipamentos de Proteção Individual) para os jogadores, o uso do EPC (Equipamento de Proteção Coletiva), ou de tetos retráteis, importantes medidas para a proteção solar dos jogadores, como também da torcida. Outra sugestão apontada durante a defesa seria investir cada vez mais no desenvolvimento de tecidos tecnológicos que auxiliem na sudorese excessiva.

Leonardo Lins Camelo da Silva foi orientado por Robson Spinelli Gomes, tecnólogo e servidor da Fundacentro, e teve em sua banca, a participação da professora convidada do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (LACASEMIN/PMI/EPUSP), Maria Renata Machado Stellin e Álvaro Cesar Ruas, servidor do Escritório de Representação Regional da Fundacentro em Campinas.

A dissertação estará disponível em breve no portal da Fundacentro, em “Defesas de dissertações”. Acesse.

Compartilhar:

Recomendar Notícia

Recomendar Notícia

É obrigatório o preenchimento dos campos com *

Dados remetente

Dados destinatario

Máximo de 1500 caracteres. Quantidade de caracteres digitados:

Confirmação dos dados - Recomendar essa Notícia

Dados confirmação
Recomendar para outro destinatário

FUNDACENTRO - Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.
Sede: Rua Capote Valente, Nº 710 - CEP: 05409-002 - SÃO PAULO-SP - BRASIL - CAIXA POSTAL: 11.484 / CEP: 05422-970
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial sem a permissão da Instituição.