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Palestra desmistifica questão da deficiência intelectual para as organizações

Palestra desmistifica questão da deficiência intelectual para as organizações

Respeitar as diferenças, capacitação e eliminar barreiras são pontos importantes para inclusão de pessoas com DI

Por ACS/Débora Maria Santos e Cristiane Reimberg em 10/08/2018

Fotos: ACS/Débora Maria Santos e Cristiane Reimberg

Nesta semana, o Serviço de Ações Educativas da Coordenação de Educação (CEd) realizou palestra sobre “Acessibilidade para Deficiência Intelectual”, no auditório da Fundacentro de São Paulo.

O evento foi coordenado pelos servidores da SAE/CEd, Eliane Vainer Loeff, Gerikson Beserra Nunes e Marcela Sarto Alvares Otero Pontes. A palestra foi proferida pela gerente de Diversidade e Inclusão na JLL, Thays Toyofuku.

O diretor Técnico da instituição, Robson Spinelli Gomes, representando a presidente Leonice da Paz, fez a abertura do evento. Também estiveram presentes no auditório, o diretor executivo (substituto), Allan David Soares e o diretor administrativo, Ricardo Felix.

A plateia foi composta por agentes públicos, profissionais de empresas, dos centros de referência do trabalhador, da Superintendência Regional do Trabalho (SRT), do Sistema Único de Saúde do Trabalhador e profissionais afins da área de inclusão.

Robson Spinelli saúda a todos os presentes no evento. Salienta a importância do projeto coordenado pela servidora Eliane Vainer Loeff, da Coordenação de Educação (CEd), o qual discute questões que envolvem as pessoas com deficiência no mercado de trabalho e ações que possibilitem acessibilidade.

Nesse sentido, o diretor técnico ressalta que é fundamental abordar temas voltados às pessoas com deficiência, sobretudo encontrar alternativas para inseri-las no mercado de trabalho e ampliar a percepção da sociedade a respeito das habilidades que eles têm que, muitas vezes, ultrapassam a deficiência. “Trabalhando neste contexto, nós vamos garantir, de certa forma, um espaço na sociedade para os brasileiros e brasileiras com deficiência”, explana Robson.

Há 11 anos, a servidora Eliane Vainer Loeff da CEd, tem se dedicado a promover cursos, eventos e debates em benefício da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.

“Escolhemos esta temática sobre acessibilidade para pessoas com deficiência intelectual, porque observamos que a as empresas têm certa resistência para inserir as pessoas com deficiência no mercado de trabalho”, salienta Loeff.

“Isto acontece porque as pessoas com deficiência intelectual apresentam dificuldades de aprender, de entender, de fazer atividade em comum com outras pessoas. Mas apesar dessas limitações, elas têm capacidade para o trabalho. Desde que sejam capacitadas e orientadas para exercerem as suas funções”, completa a servidora.

Capacitação para Pessoas com Deficiência Intelectual

As dificuldades que as pessoas com deficiência intelectual ou cognitiva apresentam estão relacionadas em não compreender ideias abstratas ou resolver problemas. “A comunicação da pessoa com deficiência intelectual (DI) é mais concreta, e isto precisa ser respeitado”, comenta a gerente de Diversidade e Inclusão na JLL, Thays Toyofuku.

Thays relata que a JLL desenvolve ações de inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, principalmente enfatiza que a visão da empresa é de respeitar as diferenças e fornecer um ambiente com as suas adaptações necessárias. Além disso, dão apoio e implantam tecnologias que possibilitem a acessibilidade e desenvolvimento profissional.

Para ela, é preciso quebrar paradigmas com as pessoas com DI. Capacitar, possibilitar a inclusão e garantir oportunidades com os demais colaboradores de uma empresa são ações fundamentais para um mundo melhor e mais justo.

A gerente da JLL destacou três pontos importantes para a construção da acessibilidade:
  • Comunicacional que inclui letras em tamanho ampliado, desenhos, fotos e tecnologia assistiva;
  • Metodológica tem que ser adequada aos processos e técnicas de trabalho;
  • Atitudinal é a quebra de paradigmas com as pessoas com DI e eliminação de preconceitos.

Palestrante em foco

Nesta breve entrevista, Thays Toyofuku fala sobre a importância de desmistificar a deficiência intelectual e quebrar a barreira atitudinal. Também é preciso compreender o histórico da inclusão e a falta de oportunidade que essas pessoas sofreram ao longo da vida.

Quais foram as principais questões que você buscou destacar na palestra?

Thays Toyofuku - Desmistificar a questão da deficiência intelectual, porque muitas vezes as pessoas assumem que eles são menos capazes ou menos produtivos. Muitas vezes eu já vi como se a pessoa fosse peça decorativa na empresa, sem ter uma função efetiva dentro da organização. O principal objetivo é desmistificar isso. Trazer como a pessoa com deficiência intelectual pode ser produtiva, pode ocupar uma função que seja relevante na organização. A segunda é dar meios para fazer isso. Quando eu trago os recursos de acessibilidade e dos exemplos de apoios que a gente criou, mostramos como fazemos para eles serem produtivos. A ideia é dar meios e contar nossas experiências para que as empresas entendam como a acessibilidade funciona. É promover a acessibilidade para que sejam produtivos.

Há quanto tempo vocês realizam esse trabalho?

Thays Toyofuku - Seis anos.

E o que motivou a fazer esta inclusão?

Thays Toyofuku - Num primeiro momento foi a necessidade de cumprir a legislação. Não conheço empresas que tenham partido pro outro motivo. Estávamos neste processo de cumprir a legislação e olhamos para estas pessoas para promover as ações. Quando chegamos a conclusão, temos que cumprir, não tem jeito, porque senão seremos multados, e isso gera uma repercussão. Temos que cumprir cota. A decisão da nossa diretoria foi – vamos fazer bem feito. Esse foi o olhar que constituiu todo o nosso programa. Não vamos apenas cumprir a cota. Vamos fazer um programa em que de fato se promova a inclusão da pessoa.

O que deve ser feito para fazer uma inclusão de verdade?

Thays Toyofuku - Primeiro você tem que acreditar que é possível, porque você pode ter a melhor estratégia, a melhor ação, mas se não acreditar, já ter uma primeira barreira, porque nada terá o efeito que você espera. Uma vez eu estava numa oficina, que discutia a questão de custo e investimento, e eu falei para uma pessoa que não enxerga valor no que você está fazendo, um real é caro. A primeira coisa é acreditar que é possível e que vale a pena. Depois que você quebra esta barreira atitudinal, quebra esse estereótipo de que não é possível, de que vai ser menos produtivo, de que vai ser um estorvo dentro da empresa, as coisas fluem de fato. A principal barreira é o preconceito e a falta de informação. Temos que quebrar o preconceito e ir atrás da informação. Quando a gente fala do processo de inclusão, ter alguém dedicado ajuda a ter esse olhar sistêmico da coisa, porque o processo de inclusão da pessoa com deficiência não é só eu contratar. Contratar é o mais fácil. É ter esse olhar para entender o processo histórico de inclusão. O contratar perpassa pelo acesso à saúde, à educação, ao transporte, às oportunidades anteriores, à família, perpassa por vários olhares. Tenho que entender todos esses contextos para poder entender como adaptar essa realidade dentro da minha realidade corporativa. Quando a gente fala de qualificação, como eu vou querer uma pessoa com inglês fluente, três faculdades e duas pós-graduações, sendo que até há alguns anos essas pessoas eram alvo apenas de assistência social e estavam destinadas a ficar em escolas especiais? Raríssimas vezes tinham oportunidade de ter uma experiência profissional, conhecer outro idioma. A maioria das faculdades não esté preparadas para recebê-las. É preciso entender que a pessoa não é menos capaz, às vezes, faltou oportunidade para aquela pessoa. A quebra da barreira atitudinal é a mais importante de todas.

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