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Mulheres devem se unir para o empoderamento feminino

Dia Internacional da Mulher é realizado no Centro Técnico Nacional

Em torno do documentário “Virou o Jogo – A História de Pintadas” foi discutida na Fundacentro de São Paulo a luta das mulheres para reduzir a desigualdade

Por ACS/ Débora Maria Santos em 16/03/2018

Fotos: SRI/Alex Pires

A luta das mulheres para reduzir a desigualdade em relação com a dos homens ocorreu entre os séculos 19 e 20. No entanto, ainda no século 21, mulheres lutam para diminuir o preconceito e violência contra elas.

Pensando nisso, a Comissão Interna de Saúde do Servidor Público da Fundacentro (Cissp) realizou, com apoio da presidência da instituição, evento alusivo ao Dia Internacional da Mulher. Nesse evento, a psicóloga e conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Ivani Oliveira, baseando-se no documentário “Virou o Jogo – A História de Pintadas” debateu as questões sobre igualdade de gênero, machismo, violência contra a mulher e empoderamento.

A discussão foi possível porque o documentário narra a vida de mulheres simples do interior da Bahia que resolvem praticar futebol, sobretudo desmitificar o cenário machista que elas viviam na cidade de Pintadas.

“Essas mulheres por meio do movimento feminino diminuíram a desigualdade que existia naquela cidade do interior da Bahia. Além disso, o documentário traz depoimentos de alguns homens relatando que ajudam nas tarefas de casa, nos cuidados com os filhos e apoiam as mulheres que jogam futebol”, esclarece Ivani. Completa que essas mulheres lutaram para transformar o padrão de vida imposta pelos homens e assumiram o papel delas na sociedade: a de protagonistas.

Em alguns países, tais como africanos, asiáticos e latinos o machismo ainda é muito latente. No Brasil, por exemplo, caso de violência doméstica contra a mulher é citado como um grande problema que precisa de muita atenção. De acordo com o Relógio da Violência do Instituto Maria da Penha, a cada dois (segundos) uma mulher é vitima de violência física ou verbal.

Antigamente

“Pensar que antigamente as mulheres não podiam trabalhar e muito menos assinar qualquer contrato, hoje em dia podemos dizer que tivemos um avanço”, informa a psicóloga. Sobre essa afirmação, historicamente a luta das mulheres por direitos civis, políticos e sociais ocorreu no século 18 e 19. No fim do século 19, as mulheres reivindicaram o direito ao voto, divórcio, educação e igualdade no trabalho.

Em 1980, as feministas entram na luta contra a violência às mulheres. Cinco anos depois, com o intuito de abolir a discriminação e fomentar a participação feminina nas atividades políticas, econômicas e culturais cria-se o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), vinculado com o Ministério da Justiça. Essa iniciativa tem sido promovida pela Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, a qual desenvolve ações, campanhas e políticas públicas focadas à mulher.

Tipos de violência

De acordo com a Lei Maria da Penha, as categorias de abuso contra mulher são: violência patrimonial, sexual, física, moral e psicológica. A conselheira explana que todos os tipos de violência contra a mulher são avassaladores e as consequências para a saúde da mulher é destruidor. “A mulher que sofre a agressão fica fragilizada, isto reflete tanto na vida social quanto no trabalho”, frisa Ivani.

Dez tipos considerados violência doméstica no Brasil:

1: Humilhar, xingar e diminuir a autoestima
Agressões como humilhação, desvalorização moral ou deboche público em relação a mulher constam como tipos de violência emocional.

2: Tirar a liberdade de crença
Um homem não pode restringir a ação, a decisão ou a crença de uma mulher. Isso também é considerado como uma forma de violência psicológica.

3: Fazer a mulher achar que está ficando louca
Há inclusive um nome para isso: o gaslighting. Uma forma de abuso mental que consiste em distorcer os fatos e omitir situações para deixar a vítima em dúvida sobre a sua memória e sanidade.

4: Controlar e oprimir a mulher
Aqui o que conta é o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela faz, não deixá-la sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail.

5: Expor a vida íntima
Falar sobre a vida do casal para outros é considerado uma forma de violência moral, como por exemplo vazar fotos íntimas nas redes sociais como forma de vingança.

6: Atirar objetos, sacudir e apertar os braços
Nem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico a tentativa de arremessar objetos, com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força uma mulher.

7: Forçar atos sexuais desconfortáveis
Não é só forçar o sexo que consta como violência sexual. Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, como a realização de fetiches, também é violência.

8: Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar
O ato de impedir uma mulher de usar métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte ou o anticoncepcional, é considerado uma prática da violência sexual. Da mesma forma, obrigar uma mulher a abortar também é outra forma de abuso.

9: Controlar o dinheiro ou reter documentos
Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher contra a sua vontade, assim como guardar documentos pessoais da mulher, isso é considerado uma forma de violência patrimonial.

10: Quebrar objetos da mulher
Outra forma de violência ao patrimônio da mulher é causar danos de propósito a objetos dela, ou objetos que ela goste.

Fonte: Lei Maria da Penha

Todas as formas de violências contra a mulher são extremamente prejudicial a sua saúde, a psicóloga destaca a violência psicológica, aquela que aparentemente parece cuidado ou um simples ciúmes é, na verdade, relacionamento abusivo.

“O namorado ou marido começa a ficar muito “cuidadoso”, ou seja, controlando praticamente toda a vida da namorada/esposa. Proíbe a socialização dela com os (as) amigos/amigas, como se vestir, lugares que pode frequentar e assim por diante”, frisa Ivani.

O relacionamento abusivo é a forma de o parceiro controlar totalmente a vida da mulher, ela não pode decidir com quem conversar, as roupas que pode vestir, monitora o celular, redes sociais, lugares que pode ir e, além disso, recebe tantas críticas que a sua autoestima fica comprometida.

A conselheira salienta que a mulher que é vítima de relacionamento abusivo acaba se culpando por não ter percebido ou por ter pensado que era amor da outra parte. “Não é culpa da vítima, não existe nenhuma mulher que goste de receber críticas duras, de ser controlada ou ser desrespeitada”, salienta Ivani. Completa que o abusador usa de artimanha para diminuir, culpar e romantizar a violência.

Reflexo da violência na mulher

O comportamento da mulher que sofre algum tipo de agressão é perceptível na sua maneira de agir na vida social e no trabalho. No trabalho, a concentração e iniciativas no desenvolvimento das atividades são totalmente comprometidas.

Em 2016, a Universidade Federal do Ceará e o Instituto Maria da Penha divulgam uma pesquisa sobre “Violência Doméstica e seu Impacto no Mercado de Trabalho e na Produtividade das Mulheres”. Neste relatório são apontados a violência e os impactos no mercado de trabalho, especificamente no nordeste.

A Lei Maria da Penha nº 11.390/2006, institui mecanismos para assegurar que as mulheres não sejam vítimas de violência doméstica. No âmbito trabalhista, a mulher em situação de violência doméstica e familiar tem respaldado o seu vínculo empregatício, podendo, quando necessário, se afastar por até seis meses do trabalho.

No dia do evento, a Assessoria de Comunicação Social (ACS) entrevistou a presidente da Fundacentro, Leonice da Paz; a psicóloga e conselheira do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Ivani Oliveira; a pesquisadora e membro da Comissão Interna de Saúde do Servidor Público da Fundacentro (Cissp), Cristiane Queiroz Barbeiro Lima, e o assessor da Diretoria Técnica (DEx), Allan David Soares.

Assista as entrevistas

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