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Educação em SST pode contribuir para a redução de acidentes do trabalho

Participantes do estande da Fundacentro na Expo Proteção

Essa foi uma das mensagens deixadas pela Fundacentro no segundo dia de Expo Proteção, em São Paulo, quando apresentou palestras sobre segurança com GLP, história da SST e aplicativo SST Fácil.

Por ACS/Cristiane Reimberg e Wesley Fernandes em 30/08/2017

No Brasil, entre 2013 e 2015, o número absoluto de acidentes de trabalho, com ou sem registro da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), caiu de 725.664 para 612.632. Os dados da Previdência Social foram apresentados pelo coordenador do Projeto Difusão de Conteúdos Educativos e Técnico-Científicos em SST em Plataformas Mobile da Fundacentro, Cleiton Faria Lima, em palestra realizada na Expo Proteção, em 17 de agosto, em São Paulo/SP. No entanto, esta queda, segundo o educador, requer atenção, afinal ela pode estar correlacionada ao índice de desemprego.

“Esta informação nos passa uma falsa impressão de que esses números estão diminuindo ao longo do tempo. Porém, deve-se analisar de forma contextual o percentual de trabalhadores empregados nesses anos. Em 2013, a média de desemprego no Brasil era entre 5% e 6%. Em 2015, esse desemprego já aumentou, constando um percentual, segundo dados do IBGE, de 8% e 9%. Se compararmos o número de pessoas empregadas com o número de acidentes de trabalho pode ser que esse número tenha aumentado”, analisa Faria Lima.

A partir destas informações, o coordenador aponta que a educação é uma das formas de integrar e contribuir para a redução de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. “Uma das grandes ferramentas para que o empregador e o empregado consigam controlar riscos ocupacionais é a informação. Levar o conhecimento sobre algum risco ou procedimento de trabalho perigoso através da educação.”

A participação da Fundacentro na Expo Proteção permitiu que a instituição levasse à sociedade o conhecimento em Segurança e Saúde no Trabalho – SST e contribuísse para a construção desta cultura da prevenção por meio da educação. Foram três temas apresentados no segundo dia de feira, 17 de agosto: segurança com GLP (Gás Liquefeito de Petróleo); o papel da Fundacentro na história da Segurança e Saúde no Trabalho; Educação em SST por meio de novas tecnologias – Aplicativo SST Fácil.

Novas Tecnologias e educação

Não é possível pensar a multiplicação do conhecimento sem o uso das novas tecnologias ao mesmo tempo em que não se pode pensar a construção de uma cultura de prevenção sem pensar na educação. O Projeto Difusão de Conteúdos Educativos e Técnico-Científicos em SST em Plataformas Mobile da Fundacentro une esses dois pontos, reforçados internacionalmente.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA), por exemplo, uma das referências mundiais em prevenção, vem ao longo dos anos incentivando, a partir do ensino infantil, o uso da educação/informação como uma ferramenta para obter a prevenção, que consequentemente implicará de forma natural e positiva no modo de trabalhar, brincar e viver.

No âmbito nacional, em 2011, o Governo Federal Brasileiro instituiu a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, que introduz responsabilidades, como capacitação e educação contínua em SST a diversos órgãos nacionais.

“Foi a partir da política nacional e do papel da Fundacentro na produção e difusão de conhecimentos que a gente começou a deslumbrar a possibilidade de um novo caminho para levar informação de segurança e saúde no trabalho para todos através de um aplicativo de celular”, revela o coordenador do Projeto, Cleiton Faria Lima.

O trabalho foi idealizado de maneira interdisciplinar pelos educadores Cleiton Faria Lima e Jefferson Peixoto, pelo analista de sistemas Fernando Fernandes e pelo designer Flávio Galvão. Assim foram contempladas as áreas de Educação, Tecnologia da Informação e Design Visual.

O projeto tem como objetivo potencializar o alcance a conteúdos educativos e técnico-científicos em SST da Fundacentro para difusão de conhecimentos que contribuam na promoção desse tema através de plataforma mobile. Seu público alvo é composto por estudantes e profissionais de SST, trabalhadores das áreas abordadas e demais interessados.

Além de permitir a interação entre os usuários, o aplicativo proporciona uma aprendizagem por meio de perguntas divididas em temas e fases. Os temas apresentados, até o momento, são introdução em SST; transporte – motoboys, caminhoneiros e transporte de trabalhadores rurais; educação – SST nas escolas e jovem aprendiz; ergonomia – noções de ergonomia da atividade; segurança química – benzeno e segurança em laboratórios; agentes físicos – proteção radiológica; doenças ocupacionais – rabdomiólise. Novos conteúdos serão inseridos ao longo do ano.

“Introdução em SST, Motoboy, Ergonomia, SST nas Escolas e Caminhoneiros são os mais populares do aplicativo”, conta Fernando Fernandes.

Técnicas de gamificação também são utilizadas como maneira de engajar o usuário e utiliza recompensas virtuais para motivar e fornecer um feedback. “Nós retiramos elementos de jogos eletrônicos, como moedas, ranking, níveis, pontuação, perfil e conquistas, e inserimos no aplicativo para incentivar as pessoas a utilizarem-no como se fosse um jogo”, explica Cleiton.

O designer, Flávio Galvão, foi o responsável pela interface do aplicativo, com a criação da marca, nome e design, assim, garantindo melhor comunicação e apresentação aos usuários.

“O Design como criação de interfaces, sejam elas artefatos ou objetos semióticos, está presente no aplicativo SST Fácil desde a concepção do nome, da marca e o auxílio do desenvolvimento do projeto por meio de consultas técnicas que envolveram conhecimentos teóricos e práticos de direção de arte, teoria das cores e legibilidade textual”, conta Galvão.

“Analisamos os aspectos semânticos, o impacto estratégico, a estrutura fonética e a disponibilidade da marca. Assim, surgiu o nome Fácil”, completa o designer.

Lançado em 9 de maio de 2016, o SST Fácil atingiu alguns estados do Brasil em apenas dois meses e, em um ano, conquistou não somente todo o território brasileiro, mas também, conseguiu um alcance internacional, atendendo países como Angola, Argentina, China, Portugal e Estados Unidos.

Segundo dados apresentados pelo analista de sistemas Fernando Fernandes, técnicos, engenheiros e estudantes da área de SST são os que mais acessam o aplicativo, assim, como também grupos sociais de classe média com graduação e pós, na faixa-etária de 30 a 40 anos.

A fim de gerar um feedback entre os desenvolvedores e os usuários, há a possibilidade de inserção de comentários. “A maioria elogia muito o aplicativo e através das sugestões dos usuários, houve inclusão de novos temas e melhorias na fonte de perguntas, facilitando a leitura dos mesmos”, finaliza Fernandes.

Segurança com GLP

O engenheiro químico e de segurança, Fernando Sobrinho, levou ao público da Expo Proteção conhecimentos sobre segurança com gás liquefeito de petróleo – GLP. Informações mais que necessárias para prevenir acidentes do trabalho e domésticos. Há diferentes tipos de botijões com GLP: P2, utilizado, por exemplo, em carrinho de pipoqueiro; P 45, em cozinhas industriais e restaurantes; P 13, em residências; P 20, em empilhadeira, o único que pode ser utilizado deitado.

Ao longo da história, vários acidentes ocorreram. Em 1937, no Texas, nos Estados Unidos, um vazamento de GLP gerou uma explosão que matou 300 crianças. A partir desse fato, o GLP passou a ter cheiro para que se pudesse detectar vazamento. Quase cinco décadas depois, em 1984, em San Juanico, no México, o GLP causou mais mortes no maior acidente com esse tipo de gás de todos os tempos: 560 pessoas mortas.

Os acidentes com GLP continuam ocorrendo na atualidade, ainda que em menores proporções no número de pessoas atingidas. Em Natal/RN, no ano de 2011, uma explosão de P2, utilizado em uma barraca de pastel em feira livre, deixou 23 feridos. Em Maceió/AL, nesse mesmo ano, uma explosão de P2 deixou um morto e quatro feridos. Já no Rio de Janeiro/RJ, na mesma época, a explosão de gás vazado de um P 45 em um restaurante gerou quatro mortos e 16 feridos.

A prevenção de explosões causadas por vazamento de GLP passa pelo trabalho, como mostram os acidentes descritos acima, mas também pela prevenção em casa com o uso do P13 – gás de cozinha. Em caso de vazamento de gás sem fogo, os procedimentos adotados devem ser desligar a chave geral da eletricidade pelo lado de fora da residência; afastar as pessoas do local; não acionar interruptores de eletricidade; fechar o registro de gás / retirar o botijão; não fumar nem acender fósforos ou isqueiros; abrir portas e janelas, se o ambiente for fechado; chamar a empresa distribuidora ou o Corpo de Bombeiros em casos graves.

Já no caso de vazamento com fogo em botijões de gás, é preciso vedar a saída de gás e jamais se deve deitar o botijão. Quando se compra um botijão de gás, deve-se observar se o objeto está em bom estado e se o lacre é original. A mangueira deve ser certificada pelo Inmetro e não deve passar pela parte traseira do fogão. Os botijões fora de uso devem ser guardados em locais abertos e ventilados, mas protegidos do sol, chuva e umidade. Nunca se deve utilizar sabão em pedra para vedar vazamento.

Para disseminar a prevenção, a Fundacentro chegou a produzir o vídeo “Segurança com gás liquefeito de petróleo”, disponível no YouTube da instituição.

História da SST

O papel da Fundacentro na história da SST foi apresentado pela jornalista Cristiane Reimberg. A mesma foi a responsável pela produção do livro em comemoração aos 50 anos da instituição, que contou com 107 depoimentos e serviu de base para a palestra.

A jornalista conta que apesar de a Fundacentro ser instituída pela Lei nº 5.161, de 21 de outubro de 1966, os movimentos para a criação antecedem o golpe militar de 1964. Em 1952, na quinta edição do Congresso Americano de Medicina do Trabalho, começa a ser discutida a necessidade de se criar uma instituição especializada na área de SST.

Também há profissionais que são precursores da saúde do trabalhador e têm um papel importante para a criação como os médicos Bernardo Bedrikow, Diogo Pupo Nogueira e Joaquim Augusto Junqueira. “Eles são os responsáveis por toda a movimentação que resultará na criação da instituição em 1966”, conta. A vinda do perito da Organização Internacional do Trabalho – OIT ao Brasil, Isaac Thomas Cabrera, em 1962, e a participação do país na 48ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho em 1964 são outros importantes capítulos desta história.

A Fundacentro começa a funcionar em 1969 e, em agosto do mesmo ano, é inaugurada a biblioteca, que teve as atividades iniciadas em fevereiro de 1970, prestando seus serviços até hoje.

“É interessante observar como essas áreas foram mudando ao longo dos anos. Por muito tempo, a biblioteca da Fundacentro recebia muitas pessoas e, hoje, não recebemos mais tantas pessoas porque alguns materiais, como livros e vídeos, já estão disponíveis gratuitamente em formato digital”, afirma Reimberg.

Em 1973, é criada a Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), que também existe até hoje, ganhando novas configurações ao longo do tempo. No começo, era utilizada para notícias e, atualmente, é uma revista acadêmica que publica artigos de pesquisas feitas por universidades e instituições, adquirindo novas características.

A partir da década de 1970, começa-se a criar outras unidades pelo Brasil nas seguintes cidades: Belém/PA, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Campinas/SP, Campo Grande/MS, Curitiba/PR, Florianópolis/SC, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Santos/SP e Vitória/ES.

No início dos anos 1970, dá-se inicio a formação dos primeiros profissionais em SST. Em 27 de julho de 1972, a portaria nº 3.236 cria o PNVT (Programa Nacional de Valorização do Trabalhador). Já a portaria nº 3.237, publicada na mesma data, institui o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (Sesmt). A partir delas, há necessidade de profissionais com formações voltadas para a saúde e segurança do trabalhador.

“Naquela época, os profissionais atuantes na segurança e saúde do trabalhador eram muitos escassos e não havia uma formação institucionalizada”, explica.

Segundo Reimberg, cabeças pensantes como um dos primeiros engenheiros da Fundacentro, Leonídio Ribeiro, e o médico René Mendes influenciaram no início da história dos primeiros cursos da instituição. Na área de medicina do trabalho, uma ação conjunta da Fundacentro com a Faculdade de Saúde Pública da USP formou os primeiros livros e currículos voltados para essa formação.

“Quando é feita a portaria nº 3.237, essas pessoas são convidadas a viajar pelo Brasil para criar os primeiros cursos. Então, por exemplo, o Leonídio ia de estado em estado para convencer as universidades a fazerem os cursos de Engenharia de Segurança”, aponta a jornalista.

De 1973 a 1985, a Fundacentro ficou responsável por supervisionar esses cursos em todo o Brasil, formando 104.828 profissionais das áreas de auxiliar de enfermagem do trabalho, enfermeiro do trabalho, médico do trabalho, supervisor de segurança do trabalho e engenheiro de segurança do trabalho.

Nessa época já realizava cursos de capacitação e eventos para profissionais da área, sindicalistas e outros atores, o que se mantém até os dias atuais. Desde 2011, a instituição fornece todo ano, gratuitamente, o mestrado em trabalho, saúde e ambiente.

De 2008 a 2015, segundo a Coordenação de Educação, 22.372 pessoas passaram pelos cursos da Fundacentro e, entre 2007 e 2016, 20.365 pessoas participaram de eventos com apoio logístico da equipe do Centro Técnico Nacional (CTN), que fica aqui em São Paulo/SP.

Além disso, nas mídias sociais, a instituição alcançou 2.278.862 visualizações no Youtube e, no Facebook, obteve 24.276 curtidas na página oficial, conforme consulta realizada em 16 de agosto de 2017.

“Tanto o site quanto a página do Facebook são formas de ficar por dentro das notícias, cursos e eventos que a Fundacentro realiza, assim como os materiais produzidos a partir das pesquisas”, avalia.

Desde 7 de Julho de 2013, a instituição possui um informativo – Notícias da Semana – que é disponibilizado toda sexta-feira e enviado para 60 mil pessoas via mala direta. “Quem quiser receber o informativo, basta acessar a parte inferior do site, clicar na aba mala direta e realizar o cadastro”, orienta a jornalista.

Estrutura

Ao todo, são cinco laboratórios existentes no CTN – laboratórios de ensaios de equipamentos de proteção; laboratório de química ocupacional dos compostos orgânicos; laboratório de química ocupacional dos compostos inorgânicos; laboratório de gravimetria, microscopia e difratometria de raios X; laboratório de instrumentação – que fornecem apoio a pesquisas e ações realizadas pela própria Fundacentro e por outras instituições parceiras.

O laboratório de química ocupacional dos compostos inorgânicos, por exemplo, é utilizado em uma parceria da Fundacentro com a Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Faculdade de Farmácia da USP Ribeirão Preto em um estudo sobre o biomonitoramento ambiental após o rompimento da barragem de Bento Rodrigues em Mariana/MG. Os materiais coletados pelos parceiros estão sendo analisados no laboratório da Fundacentro.

A Fundacentro também possui 11 programas voltados para a saúde e segurança do trabalhador – Acquaforum (Programa Nacional de SST em Atividades Aquaviárias); Agamb (Prevenção e Controle da Exposição Ocupacional a Agentes Ambientais); PNES (Programa Nacional de Eliminação de Silicose); PPSST (Políticas Públicas em SST); Proeduc (Programa Nacional de Educação em Segurança e Saúde do Trabalhador); Proesic (Programa de SST no setor da construção); Proort (Programa Organização do Trabalho e Adoecimento); Prospt (Programa de Segurança no Processo de Trabalho); Prossar (Programa de Segurança e Saúde no Trabalho Rural); Protrans (Programa de Prevenção de Acidentes no Setor de Transportes); PSQ (Programa Nacional de Segurança Química). Esses programas são multiprofissionais, e os temas inseridos de acordo com as pesquisas e atividades realizadas.

Em 1996, eram 338 servidores ativos. Foram realizados três concursos em 2004, 2010 e 2014 e, em junho de 2016, dos 277 servidores ativos, 68 estavam em condições de aposentadoria. Desse total, 121 servidores entraram após 2004 e 156 foram contratados até 1988.

“A Fundacentro continua sendo importante em fomentar a saúde e segurança do trabalhador e levar as informações, mas, muitas vezes, nós temos algumas deficiências que nos impedem de exercer esse papel prevencionista que deve chegar ao chão de fábrica, que deve dar subsídio aos médicos do trabalho, técnicos de segurança, engenheiros e a outros profissionais voltados à área. A gente tem explorado a internet, disponibilizando o máximo de materiais possíveis, mas uma dificuldade que enfrentamos é a diminuição constante de servidores”, finaliza Cristiane Reimberg.

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