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32.584 acidentes ocorreram nas indústrias extrativistas

Antonio Marcos Zenaro defende a sua dissertação de mestrado na Fundacentro

Aluno da Pós-Graduação da Fundacentro informa em sua dissertação de mestrado os acidentes de trabalho no setor nacional

Por ACS/Débora Maria Santos em 21/06/2017

Fotos: ACS/Débora Maria Santos

Sob o título “Prevenção dos Riscos de Acidentes do Trabalho na Produção de Pedra Britada na Mineração a Céu Aberto”, o aluno do Programa de Pós-Graduação “Trabalho, Saúde e Ambiente” da Fundacentro, Antonio Marcos Zenaro, em sua dissertação de mestrado, informa que entre os anos de 2008 a 2012, no setor nacional das indústrias extrativas foram registrados 32.584 acidentes. No que se refere à subclasse da extração de pedra, areia e argila, ocorreram 8.048 acidentes, o qual representa 24% dos registros do período e que superou em número de acidentes toda a indústria de produção mineral do Brasil.

O projeto de pesquisa do aluno foi de analisar o processo de produção de pedra britada, na mineração a céu aberto. “Após todas as pesquisas minerais que confirmam que a extração do minério é viável economicamente, é feito o atendimento às legislações pertinentes. Em seguida inicia-se a preparação da jazida mineral com a remoção da cobertura vegetal, preparando a bancada para perfuração. Na sequência ocorre a aplicação de explosivos para ruptura e desmonte do maciço rochoso”, explica o mestre.

Informa ainda que após o desmonte, a rocha já desmontada é carregada e transportada até o britador primário, equipamento que diminuirá de tamanho para passar em outros britadores e também pelo sistema de peneiramento, que classificará e separará por tamanhos as pedras para venda.

Zenaro, desde 1996, começou a estudar temas voltados à segurança e saúde no trabalho, nesta época já era técnico de segurança, três anos depois se formou em técnico de mineração e continuou a se especializar em engenharia de segurança do trabalho e gestão de produção e manutenção. Para ele, o mestrado da Fundacentro servirá como aporte para enfatizar que a prevenção de acidentes é imprescindível.

“Este mestrado, além de trazer um aprendizado acadêmico e profissional, propôs a reflexão e revisão de conceitos relacionados com a Segurança e Saúde do Trabalhador. Minha experiência de vinte anos na área e, no decorrer desses anos, presenciei situações que podemos entender como descaso com o trabalhador, com o ser humano. Então através de um olhar técnico, quis demonstrar que é possível sim, realizar produção com a garantia da preservação da integridade física dos trabalhadores”, salienta. Completa que a segurança do trabalho precisa ser tangível e não ficar somente no papel, servindo apenas para cumprir a lei.

Em seu estudo, o mestre observou que havia ausência de leiras nas vias de acesso e áreas de manobra dentro da mineração, ou seja, vários desacordos que colocavam em risco a segurança do trabalhador. Descreveu outros exemplos, tais como caminhão com sistema de freio insuficiente e dispositivos elétricos inoperantes; falta de sinalização e bloqueio físico. “É importante que se tenha um planejamento na operação, o caminhão que serve para carregar as pedras deve estar em bom estado de uso para não colocar em risco a vida do trabalhador”, frisa Antonio. O mestre destaca que a norma regulamentadora nº 22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração e diz que é eficaz para ser aplicada em diversas atividades do ramo da mineração.

Embora não tenha sido fácil conseguir as empresas para a realização da pesquisa, Zenaro escolheu seis grandes grupos privados. Porém, somente dois grupos permitiram a realização deste trabalho. Foram estudadas nove unidades de produção mineral, com 450 trabalhadores no total.

Em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação Social (ACS) da Fundacentro, o mestre comenta um pouco mais sobre a sua pesquisa que teve enfoque qualitativo e verificou o objeto de estudo na realidade.

ACS: Qual é a sua análise com relação às condições dos ambientes de trabalho?

Zenaro: Uma boa parte das condições dos ambientes de trabalho atrapalha a produção destes empreendimentos e nesse contexto está o trabalhador que precisa produzir e, assim, se expõem a riscos de forma desnecessária. Modificações nos ambientes de trabalho que focam a prevenção e acidentes impactam diretamente na produtividade da pedreira.

ACS: Quais são os acidentes a que esses trabalhadores estão expostos?

Zenaro: Os trabalhadores estão expostos a acidentes como tombamento e atropelamentos por máquinas fora de estrada, esmagamento de mãos na troca de correias de acionamento de britadores, queda de diferença de nível ao acessar passarelas inadequadas, de cair dentro de britadores - quando estes equipamentos estão sendo desengaiolados ou desobstruídos manualmente, pois geralmente estes equipamentos estão em pleno funcionamento quando é realizada esta atividade.

ACS: No caso de prevenção de acidentes, como funciona a interação dos setores de produção e manutenção dentro dessas empresas?

Zenaro: Nos casos estudados, há uma grande distância entre estes setores, que compromete a produção. Intermediando estes, está o setor de segurança do trabalho que precisa mediar e tentar realizar as modificações necessárias para garantir um ambiente de trabalho mais seguro.

ACS: Quais são as normas existentes e a sua eficácia na prevenção de acidentes?

Zenaro: A Norma Regulamentadora NR-22 é a legislação que aborda efetivamente a prevenção de acidentes de trabalho na mineração. Trata-se de uma norma factível, pragmática e pode ser atendida em seu teor e conteúdo. Ao buscar o entendimento de seus itens e como aplicar, o empreendimento mineral minimiza as perdas operacionais, otimizando todo o processo produtivo, gerando maiores benefícios tanto para o trabalhador como para o empregador. Mas não podemos esquecer que "O ótimo é inimigo do bom" (Voltaire), fato é que muitas vezes queremos fazer só o maravilhoso, o ótimo, o sensacional -, mas temos que fazer o que é para ser feito, com simplicidade e eficácia.

ACS: Durante a sua apresentação, você destacou a importância da sinalização, quais foram os problemas encontrados?

Zenaro: Os problemas encontrados estão relacionados nas sinalizações dos empreendimentos minerais que não correspondem com a realidade do dia a dia dos trabalhadores e, com isso, gera confusão sobre o que fazer e o que deve ser feito, ser realizado. Numa das unidades visitadas encontrei uma placa com as seguintes orientações: “Aviso, não use roupas soltas”. O que isso quer dizer? O trabalhador tem que usar roupas agarradas? Sinalizações confusas que não ajudam na prevenção de acidentes.

ACS: Você citou os acidentes ocorridos por atividade extrativa no período de 2008 a 2012. Em 2008, foram registrados 637 acidentes relacionados à extração de minério de alumínio; em 2009, 2148 correspondeu à extração de metais preciosos; em 2010, 4735 para petróleo e gás; em 2011, 4844 está minério de ferro. Já em 2012, foram registrados 8048 relacionados à pedra, areia e argila, o qual o número de acidente foi maior comparado aos anos anteriores, você pode comentar sobre essa estatística?

Zenaro: As empresas de produção de pedra britada são um dos principais fornecedores de insumo para a construção e destacam-se também pelo grande número de acidentes de trabalho, inclusive de óbitos, sendo o setor campeão nacional das indústrias extrativas no Brasil.

Banca

O título da dissertação de mestrado “Prevenção dos Riscos de Acidentes do Trabalho na Produção de Pedra Britada na Mineração a Céu Aberto”, em breve estará disponível para consulta no link da Biblioteca Digital. O mestre pretende publicar artigos relacionados ao tema.

O orientador foi o pesquisador aposentado da Fundacentro, Carlos Sérgio da Silva. Carlos faz parte do corpo docente do Programa de Pós-Graduação - Linha de Pesquisa "Avaliação, Comunicação e Controle de Riscos nos Locais de Trabalho". A banca foi composta pelo doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Campinas, Rodolfo Andrade de Gouveia Vilela. Vilela atua na área de ergonomia, segurança e saúde do trabalhador. Também fez parte da banca, o gerente da Coordenação no Processo de Trabalho (CPT), José Damásio de Aquino.

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