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Trabalhadores necessitam de capacitação adequada, diz especialista da Fundacentro

Antonio Vladimir Vieira

Ciclo de debates teve como foco o EPI respirador como medida de proteção

Por ACS/ Alexandra Rinaldi em 09/10/2017

Considerado como importante medida de proteção para a realização de atividades e operações insalubres, o respirador é um Equipamento de Proteção Individual que ainda é negligenciado por usuários e responsáveis pelo seu uso correto. Isso porque em muitas situações o trabalhador não recebe a devida capacitação para compreender a importância e o cuidado no seu uso, conforme preconiza o Programa de Proteção Respiratória da Fundacentro, em “treinamento quanto ao uso dos respiradores”.

Exemplos dessa ausência de informação foram apontados pelo Chefe do Serviço de Equipamentos de Segurança da Fundacentro e especialista na temática de proteção respiratória , Antonio Vladimir Vieira, durante a realização do ciclo de debates sobre “A eficácia dos equipamentos de proteção respiratória se utilizados de acordo com o programa de uso”, realizado na Fundacentro em São Paulo.

O especialista em normas de EPI´s e um dos responsáveis pela elaboração do PPR coloca que em muitas situações o trabalhador retira o EPR (equipamento de proteção respiratória) em plena atividade podendo inalar as partículas do ambiente contaminado. Em outras situações, o trabalhador no final do expediente deixa o respirador sem o devido armazenamento fazendo com que o mesmo se contamine. “O trabalhador precisa usar o respirador todo o tempo que está na área de trabalho contaminada. Mesmo que ele retire por 10 minutos, o EPR pode se tornar ineficaz”, coloca.

Outro aspecto colocado por Vladimir foi com relação à NR-9 – PPRA, programa implementado pelas empresas, que envolve várias atividades e profissionais e como o mesmo vem sendo utilizado. Para o especialista, quando se fala no EPI respirador como medida de proteção, são poucos os casos em que o foco está na proteção à saúde do trabalhador.

A palestra abordou tópicos sobre legislação quanto ao uso dos EPI´s; o FPA (Fator de Proteção Atribuído) dos respiradores; exemplo de seleção de respiradores conforme o PPR e a consequência da omissão do uso.

A apresentação discorreu sobre artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) como por exemplo, o artigo 166, que estabelece a entrega gratuita do EPI ao trabalhador. Destacou o artigo 167 da CLT sobre a emissão do Certificado de Aprovação pelo Ministério do Trabalho; e comentou sobre a normativa atual do Ministério que trata da vida útil do epi em comparação com a validade do seu Certificado de Aprovação. O artigo 191 sobre neutralização da insalubridade foi outro ponto destacado na palestra.

A NR-9 foi destacada com especial ênfase nos itens 9.3.5.1 que coloca a importância da análise quantitativa para comparar com o limite de exposição, mas o técnico lembrou que a realização de um bom exame médico é a peça-chave para saber como estão as mediadas de controle no ambiente. O item 9.3.5.5 trata da necessidade de seleção de um EPI tecnicamente adequado ao risco existente no ambiente de trabalho. Na visão do especialista, o conforto que o equipamento oferece é uma das características da adequação ao uso. "Assim, o equipamento deve ser confortável ao usuário e o Brasil possui esses equipamentos de excelente qualidade, mas o problema está no uso”, finaliza.

Na sessão de debates, os palestrantes convidados, Gilberto Almazan, Secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região – SINDMETAL; Mauro David Ziwian, Médico do Trabalho e Analista Pericial do Ministério Público do Trabalho – 2ª Região e Osny Ferreira de Camargo, Presidente da Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais – ABHO deram contribuições sobre a temática.

De acordo com Almazan, a luta sindical por melhores condições de trabalho vem da década de 70, a partir da identificação de várias situações que geravam problemas de saúde ao trabalhador, sem a devida fiscalização e a ausência de programas de controle. O Secretário fez um relato sobre as ações do sindicato contra o uso indiscriminado de máscaras descartáveis antes de 1994. Afirmou que “As empresas relutam muito em substituir produtos que fazem mal à saúde”, e observou que uma das grandes questões que se coloca atualmente é a nanotecnologia e como os respiradores serão eficazes em conter as nanopartículas.

Para o Presidente da ABHO, Osny Ferreira de Camargo em um sistema de gestão de saúde do trabalhador, as empresas devem estar preparadas para as mudanças e focarem nos aspectos da SST, especialmente no reconhecimento, avaliação e controle dos riscos.

Na visão do Médico do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, 2ª. Região, Mauro David Ziwian, o tema abordado no ciclo de debates é importante, pois são os trabalhadores que produzem a riqueza das empresas. Ziwian defende a atualização das normas para que possam se adequar à realidade. “A NR-15 está defasada, não acompanhou os parâmetros da ACGIH”, enfatizou o médico.

Homenagem

No inicio da palestra, o Diretor Técnico da Fundacentro, Robson Spinelli Gomes prestou homenagem ao servidor Antonio Vladimir Vieira, que irá se aposentar no ano que vem. Em um momento de emoção compartilhado pelos palestrantes e presentes no auditório, Robson agradeceu e elogiou o servidor pela “qualificação, profissionalismo, ética, reconhecimento nacional e internacional”.

Coordenação técnica

A coordenação técnica do ciclo de debates é realizada por José Damásio de Aquino; Marcelo Prudente de Assis, Milda Jodelis e Rogério Galvão da Silva.A coordenação da mesa de debates foi realizada pela assessora da Diretoria Técnica da Fundacentro, Tereza Luiza Ferreira.O próximo ciclo de debates será realizado em 27 de outubro de 2017.

Acompanhe no site da Fundacentro, na área de Eventos, a abertura para o preenchimento de ficha de inscrição.

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