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Nota de esclarecimento sobre matéria publicada com erro pelo jornal Brasil de Fato

Brasil de Fato

A matéria foi publicada em 6 de junho de 2016

Por ACS/ Eduardo Algranti - Chefe do Serviço de Medicina da Fundacentro em 22/07/2016

O texto intitulado “Doença Respiratória atinge cerca de 500 mil trabalhadores da mineração” foi publicado no site BRASIL DE FATO em 06/07/2016, redigido pelo repórter. Marcio Zonta. O foco da matéria é a ocorrência de casos de silicose no município de Nova Lima, reconhecidamente o berço do maior número de casos de Silicose no Brasil, provenientes de atividades de mineração de ouro de subsolo.

A matéria traz uma grave desinformação quando se refere ao número de casos de Silicose na região, citando como fonte dados da Frente Sindical Mineral e da Fundacentro. De onde surgiu esta cifra absurda de 500.000 casos? Certamente nenhuma das fontes citadas possui dados que sustentem este número! O único trabalho existente sobre o número de silicóticos no país é do Professor René Mendes, efetuado em 1978, que estimou o estoque em 30.000 casos. Posteriormente, temos estimativas de 3.200.000 trabalhadores brasileiros expostos à sílica no mercado formal (estimativa para o ano de 2007) de autoria da Professora Fátima Sueli N. Ribeiro. Fique claro que “exposição” não é sinônimo de “risco”. Não se sabe o número de silicóticos que a atividade de mineração de ouro de subsolo gerou, porém, é certo que é de duas ordens de magnitude inferior ao divulgado na matéria. Nem se somássemos todo o estoque de silicóticos no globo, chegaríamos a esta cifra de 500.000 casos!

A matéria reduz de forma ingênua e simplista a dimensão e complexidade da problemática criada em Nova Lima ao limitar a análise a uma história de mocinho e bandido. Omitiu-se do texto que parte da situação que se criou nos últimos anos foi devida a diagnósticos de Silicose em trabalhadores que não tinham a doença (digo “omitiu-se”, pois, é fato sobejamente conhecido)! Isto foi motivo de denúncia ao CRMMG contra um profissional da região que forneceu um enorme número de “laudos” de silicose, completamente desqualificados, amplificando o problema, abarrotando a Justiça do Trabalho com dezenas de processos indevidos e criando inúmeras situações de conflito que perdurarão por muitos anos. Possivelmente, a “deturpação” dos diagnósticos a que a matéria se refere deva-se, em grande parte, a questionamentos gerados por estes “laudos”.

Tenho tido a feliz oportunidade de trabalhar com colegas de diferentes formações que atuaram ou atuam na região, muito bem preparados, que sempre se esforçaram por qualificar e melhorar a disponibilização de dados sobre a doença, de proporcionar treinamento adequado ao reconhecimento correto da silicose e, principalmente, de melhorar as condições de trabalho. Embora a matéria referida aponte para um problema real enfrentado pelos antigos mineiros de Nova Lima não se justifica a veiculação de dados tão estapafúrdios.

Após a leitura da matéria entramos em contato pelo Fale Conosco do Brasil de Fato (em duas ocasiões) e a Assessoria de Comunicação Social da Fundacentro fez duas tentativas por telefone, sendo uma na redação de Minas Gerais e a outra na redação do Rio de Janeiro, e em São Paulo, por e-mail. Não obtivemos retorno nestas ocasiões.

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